
Tenho o costume de devorar rapidamente os livros que leio, mas Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski é um livro que estou saboreando aos poucos. Ele narra a historia de Rodion Românovitch Raskólnikov um ex-estudante de direito, um homem extremamente pobre que após relutar consigo mesmo executa seu tão pensado plano de matar uma agiota.
Um texto com palavras marcantes e um enredo tão envolvente que me senti cumprisse de Rodion, cheguei a sentir náuseas e repulsa, e precisei abandonar a leitura por um tempo. Me senti como se eu tivesse visto o crime, senti o gosto do sangre em minha garganta, senti vontade de gritar com Rodion: “Seu idiota você as matou e eu vi tudo, devia ter te abandonado antes”. Mas o crime está feito e eu não consegui abandona-lo de vez, voltei e o encontrei exactamente onde deixei, doente em seu apartamento. Felizmente não adoeci junto com ele, mas tenho o acompanhado, e meus sentimentos para com ele? A repulsa já passou, eu tenho dó e quero que ele consiga mudar sua vida, quero que ele escape.
Rodion é muito cabeça dura, tenho medo de que ele se entregue, apesar de demonstrar atos de generosidade que nem mesmo ele entende como ajudar uma pobre moça na rua, ele mesmo não se deixa ser ajudado, tem muito orgulho quer as coisas a sua maneira. Acho que muitos de nós somos como ele orgulhosos, calculamos nossas atitudes, lutamos internamente e por fim cometemos nossos crimes, podem não ser crimes de assassinato físico, mas muitas vezes matamos pessoas com palavras, matamos relacionamentos e o que nos sobra???? Um castigo que nos deixa inquietos, um castigo que recebemos de nós mesmos: a nossa própria consciência nos atormentando.
Estou apenas no inicio do livro, não posso garantir que o castigo dele esteja ligado somente a consciência, mas até o presente momento ele escapou de acusações e suas consequencias, mas de si próprio sei que ele não escapou.

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