domingo, 24 de janeiro de 2010

Conversando sobre: A Hora da Estrela


Acabo de ler agora: "A hora da estrela" de Clarice Lispector. Ainda estou tonta e não consigo definir essa obra. Tudo o que sei é que deveria chorar a vida e a morte de Macabeá (olha eu entregando a estoria), e por qual motivo meus olhos permanecem secos? Acho que é o chamado comodismo. Nós nos acostumamos com as coisas e como Macabeá acreditamos que tem que ser assim e ponto.

Desde o inicio o autor já nos anuncia o trágico, desde o inicio ele já nos tira a esperança, e assim nós conseguimos sem revolta (como a propria Macabeá) e achamos normal que a vida prossiga ruim.

E a grande tragedia não são meus olhos secos perante a literatura, e sim sua sequidão perante a realidade da propria vida que enxergamos (ou deixamos de enxergar) nas pessoas que vemos diariamente.

Estamos tão indiferentes, tão presos dentro de nós e de "nosso mundo" que não damos a minima atenção para as pessoas até mais sofridas do que Macabeá e que as vezes precisam apenas de um sorriso.

Mas uma coisa me admira muito em Macabeá, ela não sabe que é infeliz, sei que é por isso que ela vive no conformismo, mas também é exatamente por isso que sua existencia vale a pena. Quantos são felizes e não sabem? Acho que a felicidade é uma escolha e ponto. Quem disse que ela precisa estar atrelada a acontecimentos externos e circunstancias? Ela por si só é um acontecimento interno.

Quanto mais a literatura me apresenta as mazelas humanas, eu percebo que elas estão escritas nos olhos que evito encarar diariamente e então percebo duas verdades: 1º É injusto me sentir infeliz, quando coloco meu motivo diante do outro; 2º Mudar esse cenário está em nossas mãos, e o pouco que eu posso fazer somado ao pouco que cada um pode fazer torna-se grande.

Vou terminando as linhas por aqui, mas não termino minha reflexão, porque Macabeá, embora em sua vida tenha passado desapercebida, tem me rendido infinitos pensamentos.

2 comentários:

  1. Acho que essa foi uma das mais legais sacadas que li sobre o `resultado` de ler A Hora da Estrela: o injusto de se sentir infeliz. É perfeito e algo que vejo em um número grande de pessoas essa vontade, ou essa percepção, de que simplesmente não podemos nos sentir infelizes. E é também interessante que dizer isso pode soar tolo - alias, me parece que uma bela parcela das pessoas tende a ler a ideia como boba, infantil, menor, qualquer coisa assim: é como se fossemos obrigados a nos sentir infelizes já que o mundo é como é, todas essas mazelas e tudo o mais. Como se só na infelicidade se pudesse fazer algo. Como se só o sério fosse sério. Graças aos deuses vem você e fala no injusto de se sentir infeliz - e esmigalha esse conceito de chumbo. Ótimo!

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  2. O mundo está cheio de Macabeás, caso contrário as mulheres ainda não seriam tão discriminadas.
    Li o livro e vi o filme...Muito bom!

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